O que é disbiose

A disbiose intestinal é o desequilíbrio da microbiota, o conjunto de micro-organismos que vivem no intestino e desempenham funções essenciais para digestão, imunidade, produção de vitaminas e metabolismo.

Representação da Microbiota: Eubiose x Disbiose

Quando esse equilíbrio é alterado, seja devido a dieta inadequada, uso frequente de antibióticos (ou outros medicamentos, como corticoides, antiácidos e outros), estresse, alterações hormonais ou hábitos de vida, o intestino deixa de funcionar de maneira ideal. Essa alteração pode causar sintomas digestivos, desequilíbrios metabólicos e impacto no bem-estar geral.

Enquanto a disbiose representa desequilíbrio, a eubiose intestinal caracteriza um intestino saudável, com microbiota equilibrada e funcional.

Comparativo: Disbiose vs Eubiose

A principal diferença entre disbiose e eubiose está no equilíbrio da microbiota intestinal e na forma como esse equilíbrio se relaciona com o funcionamento do organismo.

Na disbiose, existe um desequilíbrio na composição da microbiota, com excesso de microrganismos potencialmente prejudiciais e redução de bactérias benéficas. Já a eubiose, associada a um intestino saudável, caracteriza-se por uma maior diversidade e equilíbrio entre os microrganismos que habitam o intestino, favorecendo suas funções naturais.

Essa diferença também pode ser percebida no funcionamento intestinal. A disbiose pode estar associada a alterações como constipação, diarreia, gases e inchaço abdominal. Em um intestino equilibrado, por outro lado, espera-se um funcionamento intestinal mais regular e uma digestão eficiente.

Outro aspecto importante é a relação com a inflamação. Na disbiose, o desequilíbrio da microbiota pode estar associado à inflamação da mucosa intestinal. Na eubiose, existe uma relação mais equilibrada entre a microbiota e o organismo, contribuindo para a manutenção da integridade da mucosa e para o controle adequado dos processos inflamatórios.

A microbiota também participa da interação com o sistema imunológico. Em situações de desequilíbrio, podem ocorrer alterações nessa relação, enquanto uma microbiota equilibrada contribui para uma interação adequada com o sistema imunológico e para os mecanismos naturais de proteção do organismo.

No metabolismo, a diferença também merece atenção. A disbiose pode estar associada a alterações na absorção de nutrientes e no metabolismo energético. Em condições de maior equilíbrio da microbiota, esses processos tendem a ocorrer de maneira mais adequada, contribuindo para o funcionamento metabólico do organismo.

Por fim, o equilíbrio intestinal também pode se relacionar ao bem-estar geral. A disbiose pode estar acompanhada de fadiga, irritabilidade e alterações de humor, enquanto uma microbiota equilibrada está relacionada a melhores condições de bem-estar, disposição e equilíbrio emocional.

É importante lembrar, porém, que esses aspectos não devem ser interpretados de forma isolada. Sintomas digestivos ou alterações no bem-estar podem ter diferentes causas, e a avaliação adequada é fundamental para compreender o que está acontecendo em cada caso.

Causas e fatores de risco

A disbiose surge a partir de múltiplos fatores:

  • Dieta pobre em fibras e rica em ultraprocessados, que altera a composição da microbiota;
  • Uso prolongado de antibióticos ou medicamentos que interferem na microbiota intestinal;
  • Estresse e desequilíbrios hormonais, afetando o eixo intestino-cérebro;
  • Doenças crônicas ou metabólicas, como diabetes ou obesidade, que favorecem desequilíbrios;
  • Hábitos de vida irregulares, incluindo hidratação inadequada e horários de alimentação desordenados.

A avaliação individualizada é essencial, pois cada paciente apresenta um perfil de microbiota único, exigindo intervenções personalizadas.

Sintomas da disbiose

  • Constipação, diarreia, fezes irregulares, distensão abdominal e gases;
  • Fadiga persistente, alterações de humor e dificuldade de concentração;
  • Sensibilidade alimentar, intolerâncias ou desconforto após refeições;
  • Alterações metabólicas e imunológicas, incluindo inflamação sistêmica.

Tratamento e cuidados para disbiose

O tratamento da disbiose deve ser individualizado, considerando histórico clínico, exames laboratoriais, alimentação e estilo de vida. As principais estratégias incluem:

  • Ajustes alimentares: aumento de fibras, inclusão de alimentos fermentados e redução de ultraprocessados;
  • Suplementação: probióticos específicos, prebióticos e ácidos graxos de cadeia curta, conforme indicação médica;
  • Acompanhamento clínico contínuo: monitoramento de sintomas e ajuste de intervenções;
  • Estilo de vida saudável: atividade física regular, sono adequado e técnicas de manejo de estresse;
  • Revisão de medicações: avaliação do impacto de fármacos no equilíbrio da microbiota.
  • Antimicrobianos específicos: de acordo com a necessidade específica (em alguns casos).

Com essas estratégias, é possível restaurar a eubiose intestinal, reduzir sintomas e prevenir complicações futuras.

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Perguntas Frequentes sobre Disbiose

1. O que é disbiose?

A disbiose é o desequilíbrio da microbiota intestinal, que pode causar sintomas digestivos, metabólicos e emocionais.

2. Quais são os sintomas mais comuns da disbiose?

Constipação, diarreia, gases, inchaço, fadiga, alterações de humor, sensibilidade alimentar e alterações metabólicas.

3. Toda alteração digestiva indica disbiose?

Não. Sintomas isolados podem ter múltiplas causas, mas a persistência ou associação de vários sinais requer avaliação médica.

4. O que caracteriza um intestino saudável?

Intestino equilibrado (eubiose) apresenta diversidade microbiana, função digestiva regular, mucosa íntegra, metabolismo equilibrado e bem-estar geral.

5. Como tratar a disbiose?

Por meio de ajustes alimentares, suplementação adequada, acompanhamento clínico e mudanças de estilo de vida, sempre com avaliação individualizada.

6. Quando procurar um especialista?

Ao identificar sintomas persistentes, desconforto digestivo recorrente ou alterações metabólicas, mesmo que leves.


Por Dra. Gilmara Aguiar Yamaguchi
Coloproctologista e Cirurgiã do Aparelho Digestivo | CRM-SP 95869 | Cirurgia Geral – RQE 81376 | Cirurgia do Aparelho Digestório – RQE 81377 | Coloproctologia – RQE 81378



Referências bibliográficas

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